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Workshop: TRAÇOS, TRAJETOS e PROCESSOS da Dança Criativa

Atualizado: 20 de ago. de 2022



O grupo de estudos será oferecido durante os meses de setembro, outubro e novembro, quinzenalmente nas quintas-feiras das 19:30 às 21:30h. Será no formato online e um dia presencial com aula prática, entrega de material e apresentação (podendo ser híbrido para quem não puder estar presente).


Setembro 3/9; sábado, das 10h às12h; presencial aula prática, (entrega de material).

Setembro 8/09, 22/09; quinta-feira, das 19:30 às 21;30.

Outubro 6/10, 20/10; quinta-feira, das 19:30 às 21;30.

Novembro 3/11, 17/11; quinta-feira, das 19:30 às 21;30.


1º Dia – TRAÇOS -3/9 sábado

O primeiro encontro, será aula prática/teórica e entrega de material de apoio e um kit com objetos propositores.


Esta aula será voltada para a proposta do projeto Dança Criativa com base nos estudos do Sistema Laban/Bartenieff.


2º e 3º Dia – TRAÇOS -8/09; 22/09, quinta-feira, online


SUMÁRIO

1. Apresentação

2. Acordar o corpo (aquecimento)

3. Como, onde e por que nasceu esse projeto?

4. O que é o projeto Dança Criativa?

5. O que os pesquisadores falam sobre a Dança Criativa?

6. Dança como linguagem. BNCC.

7. Introdução aos estudos de Rudolf Laban.


1. Acordar o corpo (aquecimento)


Prática: Chão, respiração, explorar as laterais do corpo no nível baixo, espalhar e recolher.


2. Como, onde e por que nasceu esse projeto?

A DANÇA CRIATIVA é um projeto de Dança interligado com as linguagens da ARTE.

Aconteceu no final de 2014. Eu lecionava no quarto ano do Ensino Fundamental em uma escola rural da prefeitura do interior de São Paulo, onde fui concursada por 12 anos, não me lembro com todos os detalhes, mas recordo-me que eram 33 alunos, dos quais 5 não eram alfabéticos no início do ano letivo. Minha preocupação era “como” fazer com que os alunos que não eram alfabéticos participassem das aulas com interesse e tivessem curiosidade em aprender, mesmo sem saber o que estava escrito nos livros ou em seus cadernos. Além de todo o conteúdo pedagógico, os alunos também precisavam ser alfabetizados para que pudessem caminhar na aprendizagem junto com os outros alunos da sala..


Mais informação acesse o site: www.dancacriativa.com.br


3. O que é o projeto Dança Criativa?

• A Dança Criativa é uma proposta de dança que combina o domínio do movimento com a arte da expressão. Esta combinação entre o movimento e a arte não se separam pois, é o que torna a dança criativa tão poderosa (GILBERT, 2015).

• Para mim, é um processo de fatores que não apenas se cruzam por causas e consequências e simplesmente passam como experimentos mas, que se misturam e se incorporam pelas relações entre as experiências tomadas por um domínio da consciência.

Mais informação acesse a dissertação LIZA, 2019 nas referências.


4. O que os pesquisadores falam sobre a Dança Criativa?

As modalidades “criativas” geralmente são, no mundo das danças institucionalizadas, simplesmente consideradas como laboratório ou exercícios para aqueles que não são “capazes” de executar outras modalidades codificadas (e virtuosa) de dança. Os termos “dança educativa”, “dança criativa”, “expressiva” ou até mesmo “Laban”, para os desavisados, pressupõem um conceito de “não dança”, de pura experimentação, quando experimentação não é considerado dança. (MARQUES, 2011, p.86).


[...] toda dança promove transformação, logo, toda dança é educação. É por esta razão que termos como “dança educativa”, “dança expressiva”, “dança criativa” e tantas outras nomenclaturas para nomear a dança trabalhada na escola devem ser evitadas. A dança em si já é educativa, expressiva e criativa, dispensando adjetivos. Se não é constituída desses três fatores então, simplesmente não é dança. (STRAZZACAPPA, 2009, p.44).

Marques (2013) diferencia a dança como “forma” e como “expressão”:

[...] a dança como forma, ao contrário da dança como “expressão”, está ligada principalmente a “referências externas”: a dança são passos, sequências, ritmos criados por outras pessoas e que são também internalizados, mas não são criados, gerados ou compostos pelas crianças. (MARQUES, 2013, p.18).


5. Dança como linguagem. BNCC.

• A Dança se constitui como prática artística pelo pensamento e sentimento do corpo, mediante a articulação dos processos cognitivos e das experiências sensíveis implicados no movimento dançado. Os processos de investigação e produção artística da dança centram-se naquilo que ocorre no e pelo corpo, discutindo e significando relações entre corporeidade e produção estética.


• Ao articular os aspectos sensíveis, epistemológicos e formais do movimento dançado ao seu próprio contexto, os alunos problematizam e transformam percepções acerca do corpo e da dança, por meio de arranjos que permitem novas visões de si e do mundo. Eles têm, assim, a oportunidade de repensar dualidades e binômios (corpo versus mente, popular versus erudito, teoria versus prática), em favor de um conjunto híbrido e dinâmico de práticas.


As linguagens da Arte: Dança, Teatro, Artes Plásticas, Música

• Estas linguagens articulam saberes referentes a produtos e fenômenos artísticos e envolvem as práticas de criar, ler, produzir, construir, exteriorizar e refletir sobre formas artísticas

• A sensibilidade, a intuição, o pensamento, as emoções e as subjetividades se manifestam como formas de expressão no processo de aprendizagem em Arte.


• Artes integradas, explora as relações e articulações entre as diferentes linguagens e suas práticas, inclusive aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecnologias de informação e comunicação.


6. Introdução aos estudos de Rudolf Laban.

Quem foi Rudolf Laban? 1879/1958


Laban iniciou seus estudos, na primeira metade do século XX, tendo como principal objetivo o “delineamento de uma linguagem apropriada ao movimento corporal, com aplicações teóricas, coreográficas, educativas e terapêuticas”. (FERNANDES, 2006, p.27)

Observou os artesões e analisou os movimentos do cotidiano. Buscou a essência do movimento e as conexões internas alguns colaboradores vieram para o Brasil.


Acreditando que a dança deveria ser acessível para todos, Laban desenvolveu uma forma de dança para leigos e não bailarinos que chamou de Dança Coral (SCIALOM, 2017, p.35).


Sua Arte do Movimento, portanto, tem um fundamento físico, expressivo, espacial e dinâmico e qualificou os movimentos em Tempo, Espaço, Fluxo e Peso. Essa forma de dançar, livre e criativamente, é o resultado de todo um processo de experimentos e reflexões do corpo, mas teoricamente vinculada a um processo de estudos


COREOLOGIA

Estudo do movimento, ciência da dança.

COREUTICA OU HARMONIA ESPACIA

EUCINÉTICA OU ESFORÇO


FATORES e QUALIDADES

Fluxo - livre/contido

Tempo rápido/lento

Espaço - direto/indireto

Peso – forte/ leve


CATEGORIAS:

Esforço (como se move?

Espaço (onde se move?)

Corpo (o que se move?

Forma(modo)


Práticas.

Experimentar o fator Tempo (rápido e lento)

Mover-se com o corpo e depois em partes, lento e rápido.

Compartilhar o trabalho em dois grupos.


4º e 5º Dia – TRAJETOS-06/10, 20/10; quinta-feira.


Sumário

1. A dança na contemporaneidade e a interdisciplinaridade.


Quem são nossos educandos?

O que a escola (instituição) prioriza?

Como criar estratégias para o “desaceleramento infantil”?


Em “Notas sobre a experiência e o saber da experiência”, Larrosa (2002) comenta sobre este sujeito que passa pela experiência e pelo experimento, sem o viver de fato.

A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, ou o que toca...


Para Laban (1990, p.18), nas escolas, durante as aulas de Arte, o que temos não é a perfeita criação e execução de danças sensacionais, mas o efeito benéfico que a dança tem sobre o aluno. O instrumento que se pode oferecer ao educador na dança moderna é a perspectiva universal sobre os princípios de movimento.

A primeira tarefa da escola é:

Cultivar os impulsos naturais das crianças e as levar a conscientizar alguns dos princípios que governam o movimento.

Preservar a espontaneidade do movimento e mantê-la viva até na vida adulta.

Colaborar com a expressão criativa e cultivar a capacidade de participar de danças coletivas dirigidas pelo professor.


Segundo Valerie Preston-Dunlop (1998), citada por Scialom (2017, p.35), no final de sua vida, Laban apresentou três vieses da Arte do Movimento: Recreação (Recreation), Pesquisa (Research) e Reabilitação (Reabilition).


A Recreação refere-se à dança criativa grupal, semelhante à Dança Coral desenvolvida e difundida no início de sua carreira; na Pesquisa, ele projetou o futuro das investigações sobre a expressão humana por meio do movimento; e na Reabilitação, ele apresentou o início de estudos e práticas terapêuticas, que desembocaram na dançaterapia (Dance Movement Therapy) e no que conhecemos hoje por educação somática. (SCIALOM, 2017, p. 35).


2. Segni Mossi, a dança dos registros.

É um projeto de movimento e sinal gráfico onde a Dança e o Desenho se juntam numa fluência de registros.

Alessandro Lumare (artista plástico) e Simona Lobefaro (Coreógrafa).


1) Como envolver o corpo no ato do desenho?

2) Como dançar e deixar o traço nesse espaço?

Trabalham com a abordagem da Dança e do desenho como uma “experiência e não uma “habilidade”


3. Creative Dance.

A Creative Dance Center (CDC) é uma escola de dança em Seattle, no Estado de Washington, nos EUA. Foi fundada pela professora Anne Green Gilbert em 1981. Ela idealizava criar uma escola que não apenas desenvolvesse bailarinos com habilidade e técnica, mas que também estimulasse suas possibilidades internas de criação.


BrainDance

Um exercício sequencial e holístico baseado nos padrões de movimento de desenvolvimento que as crianças passam durante o primeiro ano e continuamos refinando durante nossas vidas. Os padrões do BrainDance são: Respiração, Tátil, Core-Distal, Cabeça-Cauda, Superior-Inferior, Lado do Corpo, Lateral Cruzada, Olho-Rastreador e Vestibular


4. Experimentar os movimentos

Utilizando o tecido, iremos experimentar os movimentos pelo espaço.

Explorar o ‘objeto propositor”, sua textura, seu tamanho, peso, cheiro, cor...imaginar pinceis com tintas coloridas, pintando o espaço, a partir do artista plástico Pollock que utilizava seu corpo para pintar.


6º e 7º Dia PROCESSOS- 3/11, 17/11- quinta-feira, online


SUMÁRIO


1. Proposta metodológica do Projeto Dança Criativa

Elementos (ingredientes) básicos da dinâmica

O Projeto Dança Criativa foi embasado nos estudos da Arte do Movimento, de Rudolf Laban, realizados na primeira metade do século XX, porém, adaptados e (re)apropriados para as infâncias nos tempos atuais. Este Projeto propõe uma metodologia a partir de alguns elementos básicos da dinâmica visando o despertar da consciência corporal: espaço; descalçar-se; roda da conversa da dança; aquecimento e objetos propositores (LIZA, 2019).


Os elementos básicos foram pensados como ingredientes nutritivos da aula, mas não como uma receita pronta de bolo.


2. Conhecendo os Objetos Propositores

Chamamos de objetos propositores (MARTINS, 2012) os objetos que propiciam uma conexão entre a dança e o(a) educando(a), nascendo da experiência da relação entre eles(as). Seria um objeto mediador do movimento, uma espécie de “start”, um convite para a investigação do mover. Alguns exemplos são: tecidos com texturas diferentes, elástico, livro, boneco de madeira, também são utilizados materiais não estruturados como: rolos de papel, canos de pvc, caixas de papelão etc.


1. Elementos (ingredientes) básicos da dinâmica.

Os elementos básicos da dinâmica, foram pensados como uma maneira de organizar as aulas de dança na escola. As ações e elementos que aparecem no planejamento diário da rotina da escola e na rotina da aula de dança, agora se entrelaçam para a aula de Dança Criativa.


3. Nutrição estética:

O termo “nutrição estética” apareceu na década de 1980, quando a Profª. Drª. Mirian Celeste Martins trabalhava com um grupo de formação de educadores, onde traziam para a sala de aula várias linguagens da arte como as artes visuais, o teatro, a música e a dança, além de vários professores para nutrir as aulas. Ela conta, que o objetivo era “provocar um encontro com as artes e não necessariamente gerar um trabalho mais específico sobre ela” (MARTINS, Mirian, 2011, p.313).


4. Espaço

Sejamos responsáveis pela preparação do local, propicie um ambiente acolhedor, limpo, aconchegante e seguro, independe de onde seja.4. 5. Descalçar-se


Retiramos dos pés adormecidos as meias e o par de sapatos.


5. Roda da conversa

Convide as crianças com alguns cantos de acolhida, que seja cantado por você mesmo, adicione um dedo de conversa e um pouco de escuta, misture tudo até formar um bom caldo...


6. Acordar o corpo

Aqueça a aula, depois acorde os corpos com alguns toques e olhares, quando todos os estudantes estiverem se olhando é sinal que chegou ao ponto.


7. Objeto Propositor

Acrescente uma pitada de tempero especial, ofereça aos alunos a oportunidade de experimentar o sabor de seus movimentos investigado pelo objeto propositor.


8. Planejamento

O objetivo geral da dança criativa é desenvolver o processo de dança criativa nos alunos, proporcionando a consciência investigativa individual da relação entre o corpo consciente e os objetos propositores como experiência, além de integrar a linguagem da dança com outras áreas.


REFERÊNCIAS:

· COHEN, Bonnie Bainbridge. Sentir, Perceber e Agir: educação somática pelo método Body Mind Centering. Tradução de Denise Maria Bolanho. São Paulo: Sesc edições, 2015.

  • FERNANDES, Ciane. O Corpo em Movimento: O Sistema Laban/Bartenieff na formação e pesquisa em artes cênicas. São Paulo: Annablume, 2006.

  • FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997.

  • GILBERT, Anne Grenn. Creative Dance for all ages – Second edition. United States of América: Shape America, 2015.

· LABAN, R. Dança educativa moderna. São Paulo: Ícone, 1990.


· LABAN, R. Domínio do movimento. São Paulo: Summus, 1978.


· LARROSA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, n. 19, Rio de Janeiro, jan./ abr. 2002.


· LIZA, A.V.M. Traços, trajetos e processos da dança criativa. Dissertação de Mestrado (Mestrado em Educação, Arte e História da Cultura) 125f., São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2019.

· Notas sobre a experiência e o saber de experiência

  • PRESTON-DUNLOP, V. A Handbook for Dance In Education. Macdonald and Evans LTD., 1980

  • MARQUES, Isabel Azevedo. Linguagem da Dança /Arte e ensino. São Paulo: Digitexto, 2010.

· MARQUES, Isabel A. Ensino de dança hoje. São Paulo: Cortez, 1999.


· SCIALOM, Melina. Laban plural: arte do movimento, pesquisa e genealogia da práxis de Rudolf Laban no Brasil. São Paulo: Summus Editorial, 2017.




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